Um dos temas mais caros aos seres humanos é a igualdade. Revolta qualquer pessoa de bem atos discricionários. Desde os primórdios a social democracia buscou maneiras de combater a desigualdade gerada pela sociedade capitalista e seus discípulos neoliberais. Os neoliberais argumentam que a desigualdade é consequência do mérito, logo não haveria nada de errado com grandes desigualdades, elas apenas refletiriam grandes diferenças de mérito.

Evidente que no mundo real isso não faz sentido. Grandes desigualdades surgem por restrições as oportunidades. Um negro e uma mulher tem menos acesso a oportunidades do que um homem branco. Assim, políticas de ações afirmativas se fazem necessárias. É fundamental uma política de cotas inteligente para promover o acesso de grupos minoritários a posições de comando, quebrando assim a hegemonia de uma raça dominante a custa de minorias.

Infelizmente o mundo tem se concentrado demais em questões raciais e de gênero em detrimento de outras fontes de discriminação. Por exemplo, é evidente que homossexuais são discriminados. É evidente que uma série de outras minorias também são discriminadas. Então, ao elaborarmos uma política inteligente de cotas, devemos levar não somente as minorias em consideração, mas também grupos majoritários que são discriminados. Por exemplo, nos Estados Unidos existem cotas para negros mesmo em estados majoritariamente negros*. É um erro acreditar que apenas minorias são discriminadas.

Eu proponho uma política de cotas inteligente, baseada não em raça ou gênero, mas na mãe de toda a origem da desigualdade: temos que combater o mérito!!! O mérito é a principal origem da desigualdade, mas eu pergunto: é certo um homem ganhar mais do que outro apenas por ser mais inteligente? Você nasce inteligente, não há mérito algum nisso!!!! Ora, se deixarmos a cargo do mercado ele irá escolher os vencedores e os perdedores. É justo uma pessoa se dar mal na vida apenas por ter nascido burra ou preguiçosa?

Assim, uma política de cotas realmente inteligente tem que reservar vagas em universidades, em empresas privadas, e em concurso público para pessoas que tem dificuldade de aprender e pouca vontade de trabalhar. Afinal, estas são altamente discriminadas no mercado. Apesar de parecer um sonho distante, essa minha proposta ganhou força com Chris Hayes. O que mostra que mesmo nos Estados Unidos, berço neoliberal, as pessoas já passam a se atentar a esse fenômeno. No Brasil, sites retrógrados como o Selva Brasilis criticam isso. Mas o que esperar de um filhote do neoliberalismo?

*: de acordo com o CPS (Current Population Survey) não existem estados americanos com maioria de população negra. Contudo, se corrigirmos esse resultado, levando em consideração o estigma gerado por ser negro e responder isso a um entrevistador branco, pode-se verificar que 7 estados americanos possuem maioria negra. São eles: Alabama, Tenesse, Mississipi, DC, Florida, Georgia e Alaska.

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