Não consigo parar de rir frente ao desconhecimento econômico dos jornalistas. Mas esse meu bom humor cessa quando me deparo com a desonestidade dos economistas neoliberais.

Refiro-me ao gigantesco sucesso do leilão do campo de petróleo do pré-sal de LIBRA. Sim, entendo os jornalistas criticarem. Afinal, essa é sua função. Além do mais, os mesmos não sabem nada de economia, então não dá nem mesmo para leva-los a sério. Mas os economistas neoliberais sabem tão bem quanto eu que o leilão de LIBRA foi um sucesso. Sabem disso pois estudam a fundo teoria dos jogos, desenho de mecanismo e restrições incentivo compatíveis.

Sim, existem muitas tecnicalidades que envolvem a teoria econômica de leilões. Contudo, todo economista neoliberal conhece bem o problema da “maldição do vencedor”. Esse problema refere-se ao fato de que em muitos leilões, estimulados pela concorrência acirrada gerada pelos capitalistas, o vencedor acaba pagando um preço pelo bem maior do que o valor desse bem. O resultado é que o vencedor do leilão acaba tendo prejuízos com sua vitória, e isso inviabiliza todo o projeto.

Mas numa manobra genial a equipe econômica contornou o problema da “maldição do vencedor”. Como fez isso? Fazendo o leilão com APENAS UM ÚNICO concorrente!!! Sem competição não existe o risco de se dar um lance alto, melhor do que isso: sem competição pode-se ofertar o lance mínimo!!! Isto é, exclui-se, por definição, o problema da “maldição do vencedor”. Sem tal problema elimina-se o risco de tornar inviável esse projeto estratégico para o Brasil. Resumindo, se estivéssemos nos Estados Unidos já teriam escrito um artigo teórico sobre essa manobra, o mesmo já teria sido publicado na American Economic Review e, em breve, daria o prêmio nobel aos gênios que bolaram o leilão de um único comprador como solução para o problema da maldição do vencedor.

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